sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Dia de Colombina. Noite de Pierrot.
A confusão emocional tomava conta do espaço e entre os troncos ainda restantes, você surgiu.Surgiu sem pedir licença,sem bater na porta,sem esperar,sem saber se podia entrar,mas entrou.Em um começo tão simplório, sem fazer barulho,sem causar alvoroço,mostrou seu interesse e pintou seu território.Foi aos poucos limpando a sujeira que havia e de forma singela,sem ao menos desconfiar,me trouxe de volta a altitude.Me presenteou com manhãs mais fortes,com tardes mais livres e com noites esperançosas.De maneira singular, como quem rega um bonsai a noite,me mostrou que as tempestades são importantes e que elas sempre passam, sempre.No lugar daquela bagunça,construiu em mim certezas esquecidas,blindou no meu sorriso uma felicidade tão simples e tão pura, quase infantil.Criou borboletas no meu estômago.O quão clichê é falar disso ? mas elas estavam lá,centenas delas.Os dias já não eram mais os mesmos, a necessidade da descoberta se fazia presente e degraus imaginários eram construídos com uma destreza veraz.A parede da timidez era quebrada dia a dia, o encantamento se dava a cada nova peculiaridade.Era como noite de natal,como abrir os presentes de baixo da árvore,refletidos pelas luzes brancas já tão conhecidas. E foi natal.E réveillon.E cinemas aos domingos.Tudo regado a SMSs etílicos e abraços reconfortantes de " Vai ficar tudo bem, estou aqui".E eu, logo eu,que jurava aos quatro ventos que a porta estava trancada, o caixa fechado para balanço e que o tempo era de recolhimento,me vendi sem desconto.Saldo total.Embarquei de cabeça e esperei por algo que já não se tinha certeza.Cartas trocadas, jogo embaçado na linha do pênalti.Tempo virado,a necessidade se dispersou, levando o prazer infantil que rondava.De repente, já não era mais natal.Nem réveillon.Muito menos cinemas aos domingos.A falta de tempo se tornou argumento para tudo,pincelado com outras prioridades.Outras prioridades,já não a nossa. E nos perdemos.Plantamos bonsais juntos,mas esquecemos de os manter vivos. Já é carnaval, e como Pierrot que chora pelo amor da Colombina,ingenuo, continua a cultivar aquilo que lhe partiu o coração. Me vesti de Pierrot. E fechei a porta.
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